Dessa vez
resolvi não esperar pela Chloe, saí correndo na frente de todo mundo no campo
de futebol inclusive da professora, coloquei meu mp3 para tocar no máximo e
corri o mais rápido que conseguia. As palavras da ex do Clark não me saiam da
cabeça, o que será que ela quis dizer com “ela também é especial?”.
Outra coisa
que me deixou pensativa nas ultimas semanas foi o próprio Clark, às vezes ele
desaparecia do nada e aparecia do nada, outras vezes sentia que ele estava
escondendo alguma coisa. E certos comportamentos dele não eram normais.
Meus
pensamentos foram interrompidos por uma confusão no meio do campo. Uma briga
havia começado um monte de gente se formou ao redor para ver. Resolvi ir ver
também, essas horas agradecia de ser alta, consegui ver o centro da roda e
tomei um susto ao ver que Clark era um dos que estava brigando. Me meti no meio
de todo mundo exigindo passagem até chegar ao local da briga, segurei Clark e o
afastei do outro cara com quem brigava.
─ Ei, o que
aconteceu? ─ Perguntei, ao mesmo tempo verificando se ele estava machucado, mas
não notei nenhum arranhão.
─ Ele estava
me provocando. ─ Me respondeu, mas de olho no outro cara que estava com a boca
sangrando.
O professor
finalmente chegou, estava com a boca suja e percebi logo que estava comendo ao
invés de dar aulas. Revirei meus olhos quando ele quis bancar o autoritário.
Clark e o
outro cara foram parar na diretoria, fiquei esperando por alguns minutos do
lado de fora e finalmente ele saiu com um papel nas mãos.
─
Smallville, o que diabos deu em você? ─ Falei alto, estava zangada com ele.
─ Perdi a
paciência, Lois. O Jason é tão abusado!
─ Vai me
contar o que aconteceu agora! ─ O peguei pelo braço e o arrastei até a sua
caminhonete.
Esperei ele
entrar e entrei no lado do carona. Fechei a minha cara para ele e esperei ele
começar a falar.
─ Ele estava
me provocando, Lois. Eu não comecei nada!
─ Clark,
você bateu nele e a boca dele sangrou muito.
─ A culpa
não é minha se ele é fraco demais.
─ Você se
sente bem depois de ter batido nele?
Ele não
respondeu, virou a cabeça e ficou olhando o movimento lá fora. Depois alguns
minutos ele se voltou pra mim.
─ Você está
certa. Não tem justificativa, eu só vi tudo vermelho quando falaram de você...
─ De mim?
Ele suspirou
de raiva de novo, então me olhou para terminar de contar.
─ Eles
estavam falando de como você estava com essa roupa de ginástica, então eu falei
que eu era seu namorado e aquilo era uma falta de respeito. Jason começou a me
insultar e logo nós dois começamos a briga.
Aquilo me
chocou um pouco, ele só estava tentando me defender. Tenho que confessar que
não estava acostumada com aquilo.
─ Obrigada,
Clark. Mas da próxima vez, não se importe com o que os outros falem. Nós
sabemos das nossas vidas e é isso que importa.
Cheguei
perto dele e o beijei com carinho. Clark retribuiu o beijo a altura e nós nos
perdemos um no outro.
* * *
Fui com ele até a fazenda, sabia que essa
conversa com os pais seria bem difícil, acho que seria a primeira vez que Clark
tinha brigado na escola.
O vi entrar
em casa, achei melhor esperar no celeiro. Subi as escadas e me sentei no sofá,
meu olho foi atraído por uma foto na sua mesa, uma foto minha e dele, tínhamos
ido ao lago e parecíamos felizes, um casal de verdade. Um sorriso apareceu em
meus lábios, me levantei e fui ver a fotografia de perto, estava tão feliz
nesses últimos meses que nem parecia real. A constante lembrança que meu pai
iria me buscar em alguns meses me assombrava, sabia que isso não ia dar certo,
até tentei que isso não acontecesse, mas era quase impossível impedir a química
que rolava entre a gente.
Estava tão
perdida em pensamentos que nem vi quando Clark chegou e me abraçou por trás.
─ É a minha
foto favorita. ─ Ele falou rente ao meu ouvido.
─ Também
gosto muito dela.
Me virei
para ele.
─ O que seus
pais disseram?
─ Eles me
deram uma bronca e estou oficialmente de castigo por duas semanas.
─ Bem, pelo
menos não é muito tempo.
─ Yeah, eles
pegaram leve comigo.
Cheguei mais
perto dele e depositei um selinho em seus lábios.
─ É melhor
me levar agora.
─ Claro...
* * *
Clark estava
de castigo há uma semana, então resolvi ir visitá-lo na fazenda. Fui direto ao
celeiro pois era lá que estava passando a maior parte do tempo. Subi as escadas
devagar e vi Clark deitado no sofá, parecia estar cochilando, sorri e cheguei
mais perto, tirei meu sapato e devagar subi no sofá em cima dele. Comecei a
beijar o seu pescoço a fim de acordá-lo, ele gemeu umas palavras incoerentes,
mas não acordou, resolvi então aprofundar os beijos dando leves mordidas no seu
pescoço.
Notei que
tinha acordado quando suas mãos foram subindo pelas minhas pernas até chegarem
a minha bunda, dei um sorriso e levantei a cabeça para beijá-lo, o beijo foi
intenso, mas achei melhor não continuarmos, afinal os pais dele estavam em casa
e poderiam nos ver.
─ Não acha
que está um pouco velho para ficar dormindo no sofá, Smallville?
─ Bem, eu
estava muito cansado. ─ Ele se explicou e eu sentei no seu colo. ─ Passei o dia
todo ajudando meu pai com as tarefas da fazenda.
─
Pobrezinho, deve estar exausto! ─ Falei com uma voz dengosa. ─ Quer uma massagem?
Clark abriu
um sorriso e vi seus olhos brilharem, estava querendo outra coisa além da
massagem, mas aquilo não seria possível naquele momento. Resolvi entrar no seu
jogo, só iria fazer uma massagem mesmo. Ele se sentou no sofá e tirou a camisa,
se deitou novamente, mas dessa vez de bruços. Sentei novamente na parte
inferior das suas costas e comecei a minha massagem. Notei que ele estava meio
tenso, devia ter trabalhado duro mesmo, minhas mãos passeavam pelas costas
largas dele e algumas imagens começaram a se manifestar na minha mente...Já
fazia um tempo que nós não fazíamos sexo, estavam sempre vigiando a gente e
quase nunca conseguíamos ficar sozinhos, deveríamos escapar um final de semana
desses.
Depois de
alguns minutos, ele se virou e ficou de frente pra mim. Sorri para ele que
sorriu de volta, estávamos tão felizes juntos.
─ Eu tenho
que ir agora. ─ Avisei.
─ Por que?
Acabou de chegar.
─ Prometi a
Chloe que ia ajudá-la a se arrumar pro grande encontro hoje.
─ Quem é o
cara?
─ Não sei
ainda, vou arrancar informações dela daqui a pouco. ─ Saí do seu colo. ─ Agora
eu tenho que ir.
─ Fica só
mais um pouco.
─ Não posso,
Smallville. ─ Me inclinei e dei um beijo demorado nele. ─ Te vejo amanhã.
Sai do
celeiro e voltei pra casa aonde Chloe me esperava.
* * *
Depois de
alguns meses, Chloe começou a namorar esse cara que estava saindo, seu nome era
Jimmy alguma coisa, não decorei ainda. Clark e eu estávamos bem, tenho que
confessar que estou um pouco desconfiada de algumas coisas sobre ele, Clark
Kent escondia um segredo e eu ainda iria descobrir o que era. O que me levou a
essa conclusão? Bem, ele é um péssimo mentiroso, às vezes seus sumiços
repentinos se tornam muito estranhos, tenho a impressão de que Chloe sabe do
que se trata, mas nunca a colocaria nessa posição...
Enfim, esse
não era o maior dos meus problemas agora. Meu pai ligou na noite passada para
confirmar sua vinda no próximo mês, não contei isso pra ninguém, especialmente
pro Clark, nós estávamos tão bem e não queria dar a noticia que mês que vem
tudo teria que acabar.
Clark e eu
estávamos na fazenda, estava de noite e o senhor e a senhora Kent haviam ido
até Metropolis comemorar o aniversário de casamento, então nós ficamos com a
casa só pra gente. Ele tinha feito um jantar a luz de velas seguido de uma
deliciosa sobremesa, agora nós estávamos deitados no sofá assistindo a um filme
que passava na tv. Eu não estava prestando atenção, tudo o que passava na minha
mente era que no próximo mês eu não iria mais ver o Clark.
─ Lo, eu
tenho uma coisa pra te contar. ─ Ele se sentou no sofá e ficou de frente para
mim. ─ Tenho adiado isso há muito tempo, porque eu fiquei com medo, mas não é
justo com você.
─ Também
tenho que te contar uma coisa, mas você primeiro.
Eu o vi
tomar coragem e respirar fundo. Ele pegou uma das minhas mão e acariciou com a
sua.
─ Lo, você
sabe que eu sou adotado, mas eu nunca te contei sobre as minhas verdadeiras
origens...─ Ele esperou um pouco e
continuou. ─ Sei que pode parecer loucura, mas é melhor eu falar de uma vez...eu
vim de outro planeta.
Inclinei
minha cabeça para o lado, eu escutei direito? Era primeiro de abril ou o Clark
tinha ficado maluco mesmo?
─ Olha, eu
vou contar logo a história toda. ─ Ele continuou e eu resolvi ficar calada. ─
Há muitos anos, meu planeta de origem foi destruído então meus pais me enviaram
pra cá. Vim junto com a chuva de meteoros...Tem outra coisa também, aqui na
Terra, eu desenvolvi habilidades.
─
Habilidades?
─ Sim, tipo:
correr mais rápido que uma bala, visão de calor, posso ouvir coisas com uma
distancia considerável, sou muito forte e posso ver através de objetos.
Fiquei
olhando pra ele, não sabia se dava risada ou se mandava chamar um médico pra
ver o que tinha de errado com a cabeça dele.
─ Acho que
alguém andou te drogando, Smallville.
Ele respirou
fundo.
─ Vem
comigo.
Ele me pegou
pelo braço e me levou até lá fora. Estávamos de frente para o celeiro, um lugar
amplo a nossa volta.
─ Por favor,
não fuja depois disso.
Arregalei
meus olhos quando vi Clark correr muito rápido dali, só senti um vento nos meus
cabelo e a próxima coisa que notei foi ele atrás de mim, me afastei um pouco
assustada. O que diabos estava acontecendo?
─ Lo, por
favor, diz alguma coisa.
─ Clark...um
alienígena? ─ Minha ficha começou a cair.
─ Me
desculpe se eu não contei antes. Fiquei com medo de você se afastar e não
queria te perder.
─ Então, é
por isso que você sempre está no lugar onde as coisas acontecem, e é por isso
também que você vive sumindo ou chegando atrasado nos lugares.
─ Eu queria
ter te contado antes. ─ Ele se aproximou de mim. ─ Isso muda alguma coisa entre
a gente?
Olhei no
fundo dos seus olhos e fui muito honesta.
─ Clark, eu
te amaria até se você fosse todo verde e com antenas.
Ele soltou
um suspiro de alivio e eu o abracei, ouvi seu coração e estava disparado.
─ Mas só
para constar, essa é a sua verdadeira forma, certo? ─ Brinquei e ele deu
risada.
─ É sim!
Agora, vamos entrar porque está frio aqui fora e não quero você resfriada.
Nós entramos
e ele me levou direto para o seu quarto. Estava um pouco abalada pela revelação
dele, mas ainda tinha a situação do meu pai para contar. Resolvi deixar isso
para amanhã, a noite foi cheia de revira voltas e não queria acrescentar mais
isso.
* * *
Na manhã
seguinte, acordei nos braços do Clark, ele ainda estava dormindo. Saí com cuidado de perto dele para não
acordá-lo. O relógio marcava 5:00, estava muito cedo, mas resolvi descer e
fazer meu café de qualquer jeito.
Não tinha
conseguido dormir na noite passada, esse era meu medo desde o principio. Me apaixonei
pelo Clark e agora tudo teria que acabar para sempre, não sei como falar isso
pra ele e eu também não estava pronta para essa situação, não estava pronta pra
dizer adeus.
Meus
pensamentos foram interrompidos pelo abraço caloroso de Clark, ele me apertou
forte em seus braços então me virei para retribuir o gesto. Ficamos assim por
alguns minutos até ele quebrar o silêncio.
─ Obrigado,
por não fugir e entender tudo...
─ Obrigada
você, por ser honesto comigo. ─ Falei e dei um beijo na sua bochecha.
Terminamos
de tomar café e fomos para escola, hoje seria minha última prova e depois disso
seria a faculdade. Não sabia ao certo se iria pra faculdade, com as mudanças do
meu pai não ia conseguir ficar mais de seis meses em um só lugar, às vezes eu
penso que talvez ele queira que eu siga a carreira militar. Bem, eu estava
ficando sem outras opções, teria que ter uma conversa séria com ele sobre isso.
Depois que
acabei minha prova, fui para o jornal da escola, ia sentir falta daquilo
também, apesar de no inicio ter ficado relutante quanto essa carreira
jornalística, tinha gostado de passar boa parte do meu tempo ali, fora o fato
de que adorei aquela adrenalina em descobrir histórias bizarras em Smallville. Logo
Chloe entrou na pequena sala animadíssima.
─ Lo, você
não vai acreditar no que eu consegui!
─ Com esse
sorriso, a notícia só pode ser boa.
Ela se
sentou ao meu lado no sofá e contou com animação.
─ Lex Luthor
vai ser o nosso orador na formatura!
─ Aquele
empresário que está administrando a empresa do pai com pouco mais de vinte
anos?
─ O próprio,
passei o ano insistindo para que ele desse uma entrevista para o nosso jornal e
quando finalmente consegui, ele se interessou pelos nossos “acidentes” bizarros
depois da chuva de meteoro e se ofereceu para ser o orador. ─ Chloe não se
continha. ─ Não é demais?
─ É sim!
Meus parabéns, você merece.
─ É
impressão minha ou você está meio chateada?
Suspirei
fundo, acho melhor falar para Chloe o que está realmente acontecendo.
─ Estou, meu
pai ligou e disse que no próximo mês vai vir me buscar.
─ Você deve
estar arrasada...já contou pro Clark?
─ Ainda não.
Não sei como eu conto isso pra ele, nós estamos tão bem e...droga! Eu sabia que
isso ia acontecer...
─ Ei, por
que não conversa com seu pai? Talvez ele deixe você ficar.
─ Chlo, eu
conheço o general. Ele nunca ia permitir isso.
─ Não custa
nada tentar, certo?
─ Acho que
está certa, mas não vou criar expectativas. ─ Suspirei pensativa. ─ Acho melhor
eu contar logo pro Clark.
─ Sim,
quanto mais cedo melhor.
Chloe me envolveu
num abraço, gostava muito dela e amei passar esses meses aqui, Chloe com
certeza se tornou uma das pessoas mais importantes da minha vida.
* * *
Depois das
aulas, Clark e eu fomos até sua caminhonete. Resolvi contar logo pra ele o que
estava acontecendo, ele tinha o direito de saber e ficar com aquilo guardado
não estava me fazendo bem.
─ Clark, eu
te chamei aqui porque meu pai me ligou e avisou que dentro de um mês está vindo
me pegar. ─ Fui direto ao assunto.
─ Uau, eu...
─ Eu percebi que ele foi pego de surpresa.
─ Nós dois
sabíamos que isso ia acontecer...
─ Eu sei,
mas...eu não posso te perder Lois, eu vou falar com seu pai, você tem que
ficar!
─
Smallville, isso é o que eu mais quero, mas o general não vai ceder. ─ Peguei
sua mão. ─ Nós vamos ter que nos acostumar com isso.
─ Lo, não dá
pra imaginar mais as coisas sem você...eu te amo.
─ Eu também
te amo, Clark. Mas com o tempo você vai notar que ninguém é insubstituível. ─
Me aproximei e dei um beijo nos seus lábios. ─ Vamos aproveitar esse mês e
quando a hora chegar...
* * *
Eu tive o
melhor mês da minha vida, Clark fez questão de fazer com que isso acontecesse.
Me levou para lugares lindos e fez eu me sentir única. Ele com certeza era um
homem de verdade, sortuda seria aquela que acabasse com ele.
Meu pai
chegou essa manhã, e amanhã cedo ele disse que nós iriamos partir. Como Chloe
me aconselhou, eu tentei conversar com ele e tentar convencê-lo a ficar, mas
como já esperava foi em vão. O general estava decidido a me tirar dali e não
teria ninguém que o fizesse mudar de ideia.
No fim da
tarde, Clark apareceu por lá, a minha surpresa foi ele ter aparecido com o
senhor e a senhora Kent.
─ Eu os
trouxe pra convencer o seu pai. ─ Ele me explicou.
─ Ele está
na sala.
Os guiei até
a sala e fiz as devidas apresentações. Os Kent começaram uma conversa com o
general e logo estavam se dando bem. Uma pontada de esperança me atingiu e eu
segurei firme na mão do Clark e ele me olhou com um sorriso nos lábios.
─ General, ─
Ele começou a falar. ─ Lois e eu estamos namorando desde que ela chegou aqui,
nós gostamos muito um do outro...
─ Aonde quer
chegar com isso, criança? ─ Meu pai perguntou ríspido.
─ Eu quero
que ela fique, aqui ela vai poder ir pra faculdade e se formar...
─ Está
tentando me dizer como criar minha filha?
─ Não
senhor! O senhor fez um excelente trabalho até agora...só estava pensando na
vontade dela.
─ Lois não é
madura o suficiente para tomar esse tipo de decisão!
─ Papai, eu
acho que posso me cuidar sozinha, eu me virei esses meses todos sem você.
─ Não é uma
opção Lois! Você vem comigo e ponto final.
─ General, ─
O Sr. Kent começou a falar. ─ Nós consideramos a Lois parte da família, não se
preocupe pois iremos cuidar dela como se fosse a nossa própria filha.
─ Eu
agradeço a oferta, mas eu sou o pai dela sei o que é melhor para ela.
O casal Kent
tentou insistir, mas meu pai já tinha tomado sua decisão. Um nó se formou na
minha garganta, era isso. Clark e eu teríamos que nos separar e seguir caminhos
diferentes.
* * *
Me deitei
naquela noite fria, meu coração estava apertado e eu estava muito triste,
estava muito zangada com o general também, ele não tinha o direito de fazer
isso. Comecei a pensar em todos os bons momentos que tive nessa pequena cidade,
foi muito bom reencontrar minha prima, ela era uma ótima pessoa. Pude conhecer
o Sr. e a Sra. Kent que me trataram como uma filha. E lógico tem o Clark que eu
amo muito, um cara que me fez sentir especial e amada. Sei que nunca vou
encontrar ninguém como ele, o que nós tínhamos era algo muito forte, acredito
que nenhum dos dois havia sentido antes.
Com esses
pensamentos bons consegui dormir.
* * *
Acordei com
meu despertador tocando às 7:00 da manhã. Mal podia acreditar que daqui a pouco
eu iria embora.
Desci as
escadas e encontrei meu tio Gabe, Chloe e o General tomando café. Desejei um
bom dia a todos e fui me servir na cozinha. Não queria contato com o meu pai
agora, estava chateada demais para isso. Chloe me seguiu e foi me fazer
companhia na cozinha.
─ Sinto
muito por as coisas não terem dado certo na noite passada. ─ Ela lamentou.
─ Tudo bem,
prima. Não era pra ser mesmo...
─ Lo, sabe
que pode contar comigo sempre. Além da minha prima você se tornou a minha
melhor amiga.
─ Você
também, prima. Eu te amo.
Nós nos
abraçamos por uns minutos, ia sentir saudades dela.
─ Promete
que vai me ligar sempre.
─ Claro...
Menti, não
ia mais ter contato com ela, não ia conseguir isso. Não ia suportar continuar
conversando com ela e com o Clark, estando tão longe, eventualmente ele ia
acabar seguindo em frente e se eu mantivesse contato ia acabar descobrindo.
Aquilo me devastaria por completo, não estava pronta pra aquilo.
A campainha
tocou, era Clark. Ele prometeu que vinha me ver antes de eu partir. Tinha
chegado a hora.
─ Como você
está?
Ele me
perguntou. Queria chorar, mas não ia me deixar fazer isso, então engoli o choro
e respondi.
─ Indo...O
general disse que em meia hora íamos embora.
─ Nós não
conversamos como vão ficar as coisas entre a gente...
Suspirei, ia
ter que falar a verdade para ele.
─ Sejamos
sinceros, relacionamentos a distância não funcionam...e eu não sei se eu vou te
ver de novo, Clark.
─ Lois, eu
sou muito rápido, eu posso te encontrar em qualquer lugar.
─ Você é
rápido, mas não consegue voar ainda...nem atravessar o oceano.
Expliquei.
─ O que quer
dizer?
─ Vou para
Europa.
Ele ficou em
silêncio e abaixou a cabeça. Aquilo estava sendo mais difícil do que eu
imaginava.
─ Nós não
temos muito tempo. ─ Cheguei mais perto dele e levei uma das mãos ao seu rosto.
─ Eu odeio despedidas, mas vou ter que abrir uma exceção dessa vez...Eu quero
dizer que você é muito especial pra mim Clark, foi a melhor coisa que poderia
ter me acontecido e eu tenho certeza de que nunca vou sentir isso de novo por
mais ninguém. Então obrigada por tudo, eu te amo.
Deixei
algumas lágrimas escaparem e notei que ele também estava chorando. O abracei
tão forte que não achei que fosse capaz de soltá-lo.
─ Não posso
te perder! ─ Ele falou ainda me abraçando. ─ Te amo tanto.
─ Lois, está
pronta?
Meu pai
apareceu atrás de nós.
─ Sim,
minhas malas já estão no carro...
Me separei
do Clark, estava parecendo que um pedaço de mim tinha sido arrancado.
─ Estou
esperando por você lá. ─ Avisou e entrou no carro.
Me virei de
novo para o Clark.
─ Ouça, eu
sei que estamos sofrendo agora, mas não quero que fique remoendo isso. Seu
destino é grande Clark, eu sei que você veio pra cá com a intensão de ser algo
importante pra esse mundo.
─ Eu só
quero você...
─ Eu tenho
que ir agora.
Cheguei mais
perto dele e o beijei, foi nosso último beijo, como os outros foi bom e
carinhoso, nossas línguas se encontraram e se massagearam. Não queria prolongar
muito aquilo, apesar de o beijo estar bom carregava junto um gosto amargo da
separação.
─ Adeus,
Smallville.
Sai de perto
dele e foi caminhando depressa até o carro. Assim que fechei a porta não
consegui me aguentar e comecei a chorar. Meu pai fez o favor de não falar nada
e arrancou com o carro dali, só pude agradecer por isso. Meu coração estava
apertado, deixar Clark foi a pior coisa que já me aconteceu, acho que agora só
teria que tentar me acostumar com a ideia de viver sem o homem da minha vida.
Ah que triste clois separados... mas eles irão se encontrar, nem que seja no futuro.
ResponderExcluirtá ótima a fic, aguardando a continuação.
Nanda.... Que maldade, Clois se separando por conta do General Lane.... =( Fiquei triste. Continua por favor!!!
ResponderExcluirJu