segunda-feira, 17 de junho de 2013

What Fate Has Planned For You - Parte 3


Graças a Deus era sexta! A semana tinha sido corrida e cheia de trabalho, mas eu estava muito feliz, tinha conseguido uma promoção e agora tinha uma sala só pra mim no renomado jornal, Planeta Diário. Meu nome ficou conhecido ultimamente pelas minhas matérias reveladoras e assim como fui capaz de fazer bons amigos aqui, também criei bastantes inimigos, mas isso tudo faz parte da vida de repórter. Tenho muito a agradecer a minha prima Chloe, ela que me apresentou a essa área.

Depois que eu deixei Smallville, perdi o contato com ela por alguns anos, mas logo que me formei, acabei voltando para essas bandas, moro em Metropolis agora e foi assim que a gente voltou a se falar. Para minha surpresa Chloe não virou jornalista, estava trabalhando numa ONG para ajudar as pessoas afetadas pela chuva de meteoro, mas essa não foi a maior surpresa, minha prima estava casada , concidentemente com um fotografo do Planeta Diário, Jimmy Olsen, ele trabalhou comigo em algumas matérias e nós até que formamos uma bela equipe.

Desde o dia que deixei Smallville não soube mais do Clark, foi uma escolha minha, ia sofrer demais se continuássemos nos falando e ele também iria sofrer, então o melhor a fazer foi cortar contato com ele. Mas espero que onde quer que ele esteja, esteja feliz e ajudando as pessoas com seu dom, eu sempre soube que ele estava destinado a algo grande. Espero também que tenha encontrado alguém que o faça feliz e não tenha seguido o meu exemplo de relacionamentos que não chegam há durar três meses. Suspirei. Ainda sentia alguma coisa por ele, Clark tinha passado pela minha vida com muita intensidade.

Meus pensamentos foram interrompidos pela entrada de Jimmy na minha mais nova sala.

─ Lane, o chefe quer te ver imediatamente!

Mal tive tempo de responder e Jimmy já havia desaparecido. Olhei as horas, ainda estava cedo para o Perry exigir a minha matéria. Dei de ombros e resolvi ver o que era. Peguei o elevador e subi até o último andar, aquele andar estava sempre calmo e todas as pessoas pareciam bastante tranquilas, muito diferente do andar que eu trabalhava, onde havia movimento de pessoas por todo canto e parecia que estávamos numa rua em Nova York.

A secretária de Perry anunciou a minha entrada. Ele não estava sozinho na sua sala, um rapaz estava lá com ele.

─ Jimmy disse que queria falar comigo.

─ Quero, sente-se.

Obedeci e me sentei ao lado do moreno de óculos.

─ Lane, eu chamei você aqui porque a partir de hoje vai trabalhar com um parceiro.

─ Chefe, pensei que tínhamos concordado que trabalho melhor sozinha. ─ Tentei argumentar.

─ Tem feito um excelente trabalho, mas o jornal não vai permitir que eu contrate dois repórteres principais. ─ Ele esperou uma reação minha, mas resolvi deixá-lo continuar. ─ Então, vocês vão ter que trabalhar juntos.

Notei que o cara que estava sentado ao meu lado estava me olhando o tempo todo, mas eu estava mais preocupada no meu trabalho do que espantá-lo com algum comentário que fosse constrangê-lo.

─ E por que está contratando ele? ─ Finalmente perguntei. Quem era esse idiota afinal?

─ Bem, o jornal está precisando de alguém como esse jovem. Ele viajou a África toda relatando o estado de pobreza por lá, depois foi para Europa e meses mais tarde fez uma excelente reportagem sobre o contraste de vide de cada lugar, ganhou diversos prêmios.

─ E quem é esse cara?

─ Foi por isso que te chamei aqui. Esse é Clark Kent seu mais novo parceiro.

Meu sangue gelou, meu coração começou a bater freneticamente ou ouvir aquele nome de novo. Não consegui virar para o lado para ver o rosto dele. Eu estava atordoada, engoli seco e voltei a me dirigir ao Perry como se ele não estivesse ali.

─ Certo, eu vou entregar aquela matéria no fim do dia.

─ Ok, Lane. Agora volte ao trabalho e mostre a sala para o Kent.

─ Ele vai dividir a sala comigo? ─ Perguntei, ainda estava meio em choque.

─ Claro, agora vão.

Clark e eu fomos em silêncio até o elevador. Essa foi a maior surpresa que eu tive durante os últimos anos. Não sabia nem o que dizer para ele.

─ Depois de tantos anos, nos encontramos de novo. Que coincidência. ─ Ele falou olhando pra mim.

Tomei coragem e olhei de volta. Clark tinha mudado muito, deve ter sido por isso que não o reconheci logo. A última imagem que tinha dela era de um garoto caipira que amava suas blusas xadreze sua calça jeans. Agora ele estava um homem, vestindo terno e gravata, cabelos penteados pra trás e usava óculos que escondiam parcialmente seus lindos olhos azuis.

─ Esse mundo é mesmo pequeno. ─ Foi a única coisa que consegui dizer.

O elevador chegou ao meu andar e nós caminhamos até a minha sala...bom, agora seria nossa.

─ Se Perry tivesse me avisado, eu teria arrumado a sala pra você...

─ Tudo bem, eu não tenho muita coisa mesmo.

Ele colocou sua pasta na cadeira a minha frente. Fui tirando algumas coisas de cima da minha mesa para dar espaço pra ele. Aquele silêncio estava me matando, então resolvi falar alguma coisa.

─ Então, passou esses últimos anos fazendo pesquisas sobre pobres versus ricos.

Ele riu.

─ Pode se dizer que sim.

─ Como estão seus pais?

─ Minha mãe está ótima, ainda mora na fazenda. Meu pai faleceu um ano depois que você foi embora.

─ Nossa, Clark, sinto muito. ─ Me senti mal por ter tocado nesse assunto.

─ Tudo bem, faz muito tempo.

O telefone tocou e eu atendi. Era meu contato na policia, ele ficou de me ligar quando soubesse alguma novidade sobre a morte do maior traficante de armas em Metropolis. Por sorte ele concordou em dar uma entrevista, Perry ia ficar satisfeito.

─ Ah, era o chefe de polícia. ─ Eu falei olhando pra ele. ─ Não sei se soube, mas o maior chefe do trafico de armas aqui em Metropolis foi morto, eu estou investigando isso.

─ Quer ajuda?

─ Bem, já que o Perry quer que nós trabalhemos juntos é melhor você ir começando.

─ Certo, o que quer que eu faça?

─ Vou na delegacia entrevistar o chefe, você pode vir comigo...

─ Ok.

Nós saímos do Planeta Diário e fomos para o meu carro já que aparentemente ele morava ali perto e vinha caminhando para o trabalho. Ainda não estava acreditando que isso estava acontecendo, tinha pensado nele essa manhã mesmo.

Chegamos à delegacia, entrevistamos o chefe e depois de umas duas horas acabamos o trabalho. Voltamos para o carro rumo ao jornal.

─ Então, onde exatamente você mora? ─ Tentei puxar assunto.

─ Há duas quadras do jornal. Dei sorte e achei um apartamento ótimo, é pequeno, mas o suficiente pra dois.

Aquela informação me atingiu como um meteoro.

─ Então se casou...

Ele riu do meu comentário e eu não entendi.

─ Eu estava me referindo a minha gata, considero ela como membro da família.

Tenho que admitir que aquilo foi um alívio.

Chegamos ao Planeta Diário e eu olhei no relógio, estava na hora do almoço. Clark pareceu ler meus pensamentos quando falou:

─ Está na hora do almoço, quer ir a algum lugar?

─ Ah...tem um restaurante aqui perto...

─ Ótimo. ─ Falou com um sorriso que me derreteu toda.

Nós fomos até o restaurante. Ainda estava meio atordoada, ver o Clark assim depois de todos esses anos...estava diferente, mais decidido, e parecia agir como se não houvesse tensão nenhuma entre nós.

Nos sentamos e logo um garçom veio anotar nossos pedidos. Ele estava sorrindo e me olhando varias vezes.

─ Então, me conta o que você fez depois deixar Smallville? ─ Ele me perguntou, me olhava intensamente.

─ Eu...bem, me mudei com o general por mais seis meses. Depois fugi da base para fazer faculdade, quando estava no segundo ano ele me achou, e por um milagre consegui que ele me deixasse terminar. Consegui um estágio no DP, graças a Chloe, e com o passar dos anos fui promovida...

─ E se tornou uma das melhores jornalistas do país. Eu acompanhei suas últimas reportagens.

─ Obrigada. ─ Aquilo me deixou um pouco sem graça. ─ A Chloe sabe que está de volta?

─ Ainda não, eu não tenho mais contato com ela.

─ Posso dar o celular dela se quiser...

─ Claro... ─ Eu peguei meu celular e comecei a ditar o número da Chloe. ─ Por que não me dá o seu também?

─ Ok.

Dei meu número a ele e ele me deu o dele também. Assim que terminamos de trocar telefones a comida chegou.

Fiquei pensativa o almoço todo, era impressão minha ou o Clark estava dando em cima de mim? Depois de todos esses anos ele ainda gostava de mim assim? Talvez ele só esteja sendo simpático e eu esteja interpretando mal as coisas...

Voltamos ao Planeta Diário e fomos direto para nossa sala. Tinha duas matérias para entregar hoje, sorte que ele vai me ajudar em pelo menos uma.

─ Eu tenho uma matéria pendente, então acho que vai ter que começar sem mim.

─ Sem problema.

─ E como só temos um computador...pode usar esse, eu trouxe meu laptop.

Ele foi se sentar no meu lugar enquanto eu pegava meu computador.  As próximas duas horas foram preenchidas com silêncio, mas eu achei melhor assim, estávamos ambos concentrados no trabalho. Finalmente consegui terminar e enviei a matéria para Perry.

─ Agora eu vou te ajudar. ─ Falei me sentando ao seu lado para ver seu progresso. ─ Adiantou muito, Smallville.

Falei distraída e ele sorriu.

─ Senti falta desse apelido.

Fiquei sem graça de novo. Limpei minha garganta e continuei lendo o que ele havia escrito.

Começamos a trabalhar juntos e ainda bem que ele não me distraiu mais. Não sabia como ia continuar trabalhando com ele tão perto todos os dias da semana. Quando olhei no relógio de novo vi que já se passavam das sete. Fiquei aliviada de poder ir pra casa.

─ Eu envio a matéria para Perry amanhã. ─ Falei me levantando da cadeira e colocando as coisas na bolsa.

─ Claro. ─ Ele também se levantou. ─ Grandes planos pra sexta a noite?

Me surpreendi com a pergunta.

─ Ah...na verdade não. Só ficar em casa e ver um filme.

─ Por que não me deixa te levar pra jantar? ─ O convite me deixou sem palavras. ─ Eu te devo isso faz muito tempo. Nunca te levei pra jantar quando nós namorávamos.

─ Você não precisa...

─ Eu quero. Por favor.

Engoli seco e respondi:

─ Tá bom então.

─ Mas tem um pequeno problema. ─ Falou sorrindo. ─ Não conheço quase lugar nenhum aqui, você vai ter que escolher o lugar.

─ Tudo bem, Smallville. Seu senso de direção nunca foi bom mesmo. ─ Me descontrai e deixei a sala.

Clark estava logo atrás de mim e logo estávamos no meu carro. Escolhi um restaurante não muito longe dali, a comida era ótima e isso que importava. Estava faminta, mas um pouco nervosa, aquilo era um encontro. Clark mal havia chegado na cidade e já tinha me convidado para jantar com ele.

Nós escolhemos um lugar perto da janela, e nos sentamos, o garçom anotou nossos pedidos e saiu.

─ Eu tenho que falar, Lois, os anos te fizeram muito bem. Está mais bonita do que nunca. ─ Ela me elogiou com um sorriso.

─ Bem, eu não sou a única. Você está bem mudado também.

─ Não sou mais um caipira. ─ Ele brincou.

─ Posso ver... ─ Peguei minha taça de vinho e dei um gole.

─ Fica mais bonita morena.

─ É o que dizem.

Nós dois rimos e num ato inesperado pegou na minha mão.

─ Eu senti sua falta.

Fiquei séria, não estava esperando aquilo dele. Minha cabeça estava tão confusa e todos aqueles acontecimentos. Nós mudamos tanto. Para minha sorte a comida chegou, nós começamos a comer e mudei logo de assunto.

─ Chloe vai surtar quando te encontrar.

─ Também sinto falta dela, nós crescemos juntos.

─ Ela está casada agora, com o Jimmy, ele é fotografo do jornal.

─ Aquele mesmo Jimmy?

─ Sim, eles não desgrudaram mais.

─ Ela não trabalha no jornal, certo? ─ Ele me perguntou.

─ Não, ela ajuda uma ONG de afetados pelo meteoro.

─ Isso é legal, eu mal posso esperar para reencontrá-la.

O resto do jantar não foi diferente. Clark me contou várias histórias de quando viajou pela África e depois pela Europa. Nós nos divertimos. Fazia muito tempo que eu não ia num encontro e me divertia e relaxava, o tempo passou e eu nem senti. Quando olhei no relógio já se passavam das 23:00. Arregalei os olhos.

─ Nossa, olha pra hora! Está bem tarde.

─ Verdade, mas ainda bem que amanhã é sábado.

─ Deu sorte do seu primeiro dia cair numa sexta. Vai ter o fim de semana todo de folga.

─ Yeah, mas fico um pouco entediado. Principalmente porque não conheço nada aqui...a cidade mudou muito.

─ Logo isso muda. Tenho certeza que os caras do Planeta Diário vão te arrastar pra farra deles.

─ Lois, você me conhece, não é a minha cara sair pra farrear.

Apenas sorri para ele. Nós pedimos a conta e fomos embora, me ofereci para deixá-lo em casa. Ele foi me guiando até chegarmos a um pequeno prédio.

─ Eu me diverti muito hoje. ─ Ele falou se virando para me olhar.

─ Yeah, eu também. Foi bom rever você, Clark.

─ Digo o mesmo. Vamos repetir isso mais vezes.

Sorri para ele e isso fez com que ele se inclinasse e me beijasse. Nossos lábios se tocaram e eu senti uma energia tomar conta de mim, aquele gosto familiar e uma sensação de conforto me atingiram. Clark continuava carinhoso e ao mesmo tempo provocante, sua língua massageava a minha de forma sedutora e aquilo estava me deixando maluca. Levei uma das mãos até seu cabelo para aprofundar o beijo, ele se aproximou mais continuou me beijando. Tinha sentido falta do beijo dele, ninguém nunca conseguiu me tirar do sério assim com um simples gesto como ele era capaz de fazer.  Devagar fui encerrando o beijo, mas ele não saiu de perto de mim.

─ Essa foi uma das coisas que mais senti saudade. ─ Falou acariciando minha boca entreaberta com o polegar.

─ É mesmo?

─ Sim, você quer subir?

Deus! O que fazer agora? Eu quero muito subir, mas seria certo? Por que não? Na pior das hipóteses, Clark virou um cafajeste que só quer ir pra cama de novo com você. De qualquer jeito irei me divertir um pouco.

─ Ok.

Ele se afastou e eu estacionei o carro direito. Nós subimos para o seu apartamento, ele morava no quarto andar, como tinha dito o lugar era pequeno, mas achei bastante aconchegante.

─ Quer alguma coisa pra beber? ─ Ele me ofereceu.

─ Não, obrigada.

Clark se aproximou de mim devagar, sempre mantendo o contato visual, levou uma das mãos ao meu rosto e o acariciou. Dessa vez quem tomou a iniciativa fui eu, me aproximei ainda mais dele e o beijei, ele não pensou duas vezes em retribuir, estava sentindo uma necessidade que não aflorava meu corpo há um bom tempo, algo que eu só tinha com ele. Clark me pegou no colo, sem interromper o beijo, me levou até o seu quarto. Estava tudo escuro e a última coisa que notei foi ele me deitar na cama de casal.

O assisti tirar seu terno e a gravata, mordi meu lábio inferior e acho que fez efeito nele, ele voltou a beijar com intensidade e eu aproveitei para tirar a camisa dele. Senti sua mão apertar minha coxa e subindo até ser impedido de continuar pela minha saia, ele interrompeu o beijo para tirar a peça, o ajudei rapidamente. A adrenalina estava tomando conta de mim, precisava dele imediatamente.

Clark se afastou um pouco para poder tirar sua calça assim como seu boxer, ele estava mais forte do que nunca, um calor invadiu meu corpo e tratei de tirar minha blusa. Avancei para cima dele e me sentei no seu colo, iniciei um beijo ardente que deixou ambos sem ar. Ele estava com tanta pressa como eu, foram anos de abstinência um do outro. Nossas respirações estavam alteradas, Clark me ajeitou em cima dele e rasgou sua última barreira. Minha calcinha.

─ Ei, quando vai perder essa mania? ─ Perguntei, mas não tinha ligado nem um pouco.

Ele riu.

─ O dia que você parar de ser tão gostosa, e pelo que eu sei, não vai acontecer...

Sorri de volta para ele e me preparei para recebê-lo. Segurei firme nas suas costas quando o recebi dentro de mim, aquela sensação era melhor do que eu me lembrava, não me controlei e soltei um gemido abafado. Ele não se mexeu logo, esperou com que meu corpo se acostumasse com ele, enquanto isso foi distribuindo beijos pelo meu pescoço e subindo até a minha orelha, onde mordeu de leve, gemi de novo.

O calor crescia em mim e eu precisava de mais, dei a deixa para que ele começasse a se mexer e ele o fez. Nossos movimentos eram devagar, no quarto só se ouvia o barulho pesado das nossas respirações e leves gemidos vindo de mim. Clark me abraçou com mais força e me adentrou completamente, dessa vez meu gemido foi alto, e aquele gesto me fez querer mais. Meus movimentos se aceleraram e ele seguiu meu exemplo. Minhas unhas estavam cravadas em suas costas e levei minha boca na sua para compartilharmos um beijo, ele me beijou com tanto carinho, era como se meu corpo tivesse voltado à vida depois de muitos anos em coma. Interrompi o beijo para olhar nos seus olhos, estavam escuros de desejo. Senti as ondas de prazer invadindo meu corpo e logo alcancei o clímax, chamei pelo seu nome e segundos depois, foi a vez dele.

* * *

Amanheceu e eu nem me dei conta, acordei com o sol no meu rosto. Clark estava me abraçando por trás eu usava seu braço como travesseiro, não havia espaço nenhum entre nós. Sorri ao lembrar da noite anterior, era como se nós nunca tivéssemos nos separado, a sintonia ainda era a mesma, se não melhor. A verdade é que ele era o único cara que conseguia me satisfazer por completo.

Me virei e vi que ele já estava acordado, estava radiante e com um grande sorriso no rosto.

─ Bom dia. ─ Minha voz ainda estava rouca.

─ Bom dia, linda. ─ Ele se inclinou e me deu um leve beijo. ─ Você foi incrível.

─ Você também, Smallville.

─ Lo, eu quero voltar. ─ Falou enquanto acariciava meu rosto. ─ Eu acho que é o nosso destino ficar juntos, obviamente ainda existe amor entre a gente.

─ Sim, eu também senti...

─ Então, o que me diz?

─ Eu topo, mas com uma condição...Ninguém do trabalho pode saber, não gosto que fiquem interferindo na minha vida.

─ Tudo bem. ─ O sorriso dele se alargou. ─ Estou tão feliz!

─ Eu notei. ─ Falei mordendo o lábio e ele me beijou.

─ E a melhor parte é que vou ter o fim de semana todo para ficar com você.

Ele veio para cima de mim e iniciou um beijo intenso, mas infelizmente nós fomos interrompidos...

─ Então essa é a sua gata? ─ Perguntei e ele saiu de cima de mim.

─ Sim, o nome dela é Lois. ─ Ele pegou no colo a gata que tinha os pelos todos brancos.

─ Deu meu nome a sua gata? ─ Perguntei dando risada.

─ Sim, olha os olhos dela. Verdes, iguais aos seus.

─ Ok, Smallville. Acho que ficou um pouquinho obcecado por mim. ─ Brinquei e me sentei na cama, me cobrindo com o lençol.

Ele colocou a gata no chão de novo e me pegou no colo.

─ Você só notou isso agora?

Eu ri enquanto ele me beijava.

─ Então o que quer fazer hoje? ─ Ele me perguntou.

─ Bem, nós podíamos encontrar a Chloe.

─ Ótima ideia! ─ Ele colocou meu cabelo para trás e focou a visão nos meus seios. ─ Faz muitos anos que não tinha uma vista dessas...

Eu não resisti e dei risada. Clark estava tão mais descolado, mas eu gostei.

─ Vejo que a idade só se fez mais ousado.

─ Não amor, você me fez assim.

Sorri para ele e o beijei. Mas não continuei, quanto mais cedo fossemos para a casa da Chloe, mais cedo poderíamos voltar.

─ Vou tomar um banho, aí podemos ir visitar minha prima. ─ Dei um selinho nele e saí do seu colo.

Me enrolei no lençol e fui caminhando para o banheiro, mas antes parei para ouvir o que ele tinha a dizer:

─ Não deveria enrolar uma coisa tão bonita num lençol.

─ Está coberto de razão.

Deixei o lençol cair e fui em direção ao banheiro.

─ Vai me matar desse jeito, Lois Lane!

Ouvi a risada dele no fundo. Estávamos os dois uns bobos. Entrei no chuveiro e comecei a me ensaboar, não conseguia parar de sorrir.

Que loucura tinha acontecido em menos de 24 horas, jamais ia imaginar que ia encontrar o Clark de novo, muito menos que estaria tomando um banho no chuveiro dele depois de ter tido uma das melhores noites da minha vida. Ele continuava o mesmo de certa forma, ainda carinhoso e sedutor, só que agora mais maduro. Eu mudei também, mas não só na aparência, nós éramos adolescentes quando começamos a namorar e não durou nem um ano. Agora estamos adultos com emprego fixo e uma vida estabilizada, independentes acima de tudo, estava rezando para dessa vez tudo dar certo, porque tenho certeza de que ele é o cara certo.

Estava tão distraída com meus pensamentos que nem vi a hora que ele entrou no box e me abraçou, pulei com o susto, mas logo relaxei.

─ Assustei você? ─ Perguntou rente ao meu ouvido.

─ Me assustou e muito. ─ Me virei e cruzei os braços ao redor do seu pescoço. ─ Tomei o maior susto da minha vida quando Perry falou seu nome.

─ Estava contando os dias pra te ver.

─ Por que não foi me procurar primeiro?

─ Não ia ter graça! Queria ver sua cara de surpresa quando me visse no jornal.

─ Parabéns, seu plano funcionou.

─ É, mas eu também tomei um susto.

─ É mesmo? ─ Cheguei mais perto dele. ─ Com o que exatamente?

─ Com você...Com a mulher incrível que se tornou e não falo só da sua aparência.

Sorri para ele e o beijei. Ele me fez caminhar para trás sem desgrudar de mim para que a água agarrasse em nós dois.

O banho foi um pouco mais demorado do que eu havia planejado, mas não estava nem um pouco incomodada com isso. Saímos do chuveiro e eu fui colocar minha roupa, estava com a mesma de ontem, isso me fez lembrar que eu tinha que passar em casa.

Clark estava pronto, lindo como sempre, com o cabelo penteado para o lado e seus mais novos óculos. Aquilo me fez pensar, Clark não precisava de óculos, ele era um cara superpoderoso.

─ Está pronta? ─ Ele me perguntou.

─ Eu nasci pronta.

Ele riu da minha resposta e nós dois saímos. Entramos no meu carro e partimos para casa da Chloe.

─ Quanto tempo está em Metropolis? ─ Perguntei.

─ Cinco dias contando com hoje.

─ Conseguiu se estabilizar rápido aqui.

─ Consegui ajuda de alguns amigos.

Chegamos ao prédio onde Chloe morava. Ela se mudou para cá recentemente depois do casamento. Espero que ela não se incomode com a visita surpresa.

O porteiro já me conhecia e nos deixou subir sem precisar interfonar. Subimos pelo elevador de mãos dadas até o quinto andar. Toquei a campainha e foi o Jimmy quem atendeu.

─ Lois! Que surpresa.

─ Hey Jimmy, espero não estar atrapalhando.

─ De jeito nenhum, entrem.

─ Esse é Clark Kent, ele é o novo contratado do Perry.

Os dois se cumprimentaram e logo estávamos sentados no sofá da sala.

─ Cadê a Chloe?

─ Oh, ela foi comprar alguma coisa, já deve estar de volta.

─ Bem, devia ter ligado antes... ─ Me lamentei. ─ Clark e ela foram amigos no colegial e agora que ele está de volta trouxe para os dois se reencontrarem.

─ Acho que conheci você...─ Falou ainda na dúvida. ─ Ela vai ficar feliz com a visita.

Ficamos conversando mais alguns minutos sobre o jornal. Fomos distraídos pelo barulho da porta se abrindo. Quando Chloe entrou levou um susto ao ver quem estava sentado no seu sofá.

─ Clark?

─ Hey, Chlo. ─ Ele deu aquele sorriso.

Chloe se aproximou da gente e sorriu também.

─ Aonde se meteu? Faz anos que não tenho notícias suas!

─ Fazendo umas pesquisas. ─ Falou por alto.

Chloe se sentou ao lado do marido e logo os dois começaram a colocar todo o assunto em dia. Aquilo demorou umas horas, mas era tão bom ver todo mundo reunido de novo. Minhas lembranças me levaram à Smallville, quando nós trabalhávamos no jornal, aquela foi a época mais feliz da minha vida eu posso afirmar, foi o único lugar que consegui me sentir em casa de verdade, nem mesmo Metropolis despertou essa sensação em mim.

Chloe nos convidou para almoçarmos lá, enquanto Clark e Jimmy engatavam uma conversa sobre trabalho, Chloe e eu fomos à cozinha.

─ Meu Deus! O Clark está de volta! ─ Ela falou ainda sem acreditar.

─ Fiz essa mesma cara quando o vi...

─ Mas o que mais me surpreendeu é que vocês dois estão juntos!

─ Nem me fala, prima. ─ Suspirei com um sorriso tímido. ─ Foi tudo tão maluco. Eu estava trabalhando aí o Perry me chama pra ir pra sala dele e quando eu me dou conta lá está ele. Nós passamos o dia juntos e não nos desgrudamos mais.

─ Vocês dois são bem rapidinhos.

─ Eu sei, mas ele estava dando em cima de mim o dia todo e quando eu fui deixar ele em casa rolou tudo.

─ Vocês já...Jesus, prima! ─ Chloe riu e eu ri junto. ─ Vocês sempre foram uns tarados!

─ Ele pediu pra voltar e eu aceitei.

─ Bem, fico feliz por vocês!

Depois do almoço, nós ficamos conversando com eles por mais um tempinho, vi que a Chloe ficou feliz em rever o Clark assim como ele. Tinha o pressentimento que as coisas entre eles voltariam a ser como eram no tempo da escola.

Falei com ele que queria passar em casa e ele se animou, queria conhecer meu apartamento. Estacionei na garagem e pegamos o elevador, ele estava com as mãos entrelaçadas na minha. Minha ficha caiu que éramos um casal de novo. Um sorriso brotou no meu rosto. As portas se abriram e nós saímos, vasculhei a minha bolsa pela chave de casa e finalmente achei abri a porta e nós entramos. Ele analisou bem o lugar, estava sorrindo então devia ter gostado.

─ Gostei do apartamento! ─ Confirmou minhas suspeitas.

─ A minha promoção no Planeta Diário me permitiu comprá-lo.

─ Um bom investimento.

Peguei a mão dele novamente e o levei até o meu quarto. Por sorte tinha arrumado no dia anterior. Ele estava sorrindo, eu o empurrei e ele caiu na minha cama.

─ Meu investimento maior foi nessa cama. ─ Falei montando em cima dele.

─ Notei. É muito confortável.

─ Uhum... ─ Me inclinei e tomei sua boca.

Tateei pelo peitoral dele, desabotoando cada botão da sua camisa. Ele estava mais musculoso, gostei muito disso.  Ele subiu as mãos pela minha coxa e foi subindo minha saia, eu intensifiquei o beijo e terminei de tirar a camisa dele. Clark aproveitou disso e me virou na cama, ficando por cima de mim, interrompeu o beijo para dar atenção ao meu pescoço, aonde mordeu sem piedade.

─ AI!

Gritei, mas ele não pareceu se importar, continuou com as caricias e logo me esqueci da pequena dor. Ele conseguiu tirar minha saia e aproveitou o fato de eu estar sem calcinha, já que ele tinha rasgado na noite passada, e colocou a mão no meu ponto fraco, gemi alto e ele gostou disso e fez de novo. Se continuasse assim eu não ia durar muito.

─ Clark, vai acabar muito rápido se continuar fazendo isso...─ Falei sem fôlego.

Ele riu e tomou minha boca, tratou ele mesmo de tirar sua roupa e eu aproveitei para me livrar da minha blusa e do sutiã. Clark me fez deitar novamente e ficou por cima de mim, voltou a beijar meu pescoço, dessa vez lambendo o lugar onde havia mordido, gemi bem baixinho e ele me adentrou. Cravei as unhas nas suas costas e me contorci embaixo dele.

Devagar ele foi se movimentando, segurou uma das minhas pernas para melhorar o ângulo e eu o tive por inteiro dentro de mim. Dessa vez ele que gemeu, os movimentos estavam começando a acelerar, Clark estava me deixando doida. Ele voltou a me beijar e eu correspondi, levei uma das mãos ao cabelo dele para impedir que saísse daquele cerco. As sensações foram se misturando e eu não aguentei mais, senti as ondas do orgasmo me atingindo com força total e logo em seguida ele veio comigo.

Ele saiu de cima de mim e desabou do meu lado. Nós dois estávamos com a respiração alterada e um pouco suados.

─ Quero ver o que vamos fazer quando esse fim de semana acabar. ─ Falei sorrindo.

─ Não sei como vou me aguentar no trabalho. ─ Ele falou.

Eu ri e cheguei mais perto dele. Nós ficamos um tempinho deitados assim, o sono quase me atingindo, mas fui despertada pela campainha.  Estranhei, quem poderia ser? A única pessoa que me visitava era a Chloe e a gente tinha acabado de ver ela. Meus olhos se arregalaram, poderia ser o General!

Levantei de vez e Clark fez o mesmo. Fui até meu guarda-roupa e peguei um hobby branco.

─ Vou ver quem tá incomodando e dispenso já já. ─ Me inclinei e dei um beijo rápido nele.

Fechei a porta do quarto e fui ver quem estava na porta. Abri e dei de cara com Richard White. Ele era sobrinho de Perry, a gente saiu algumas vezes, mas como meus outros relacionamentos depois do Clark, não durou muito. A diferença é que ele ainda continuava no meu pé e insistia no fato que nós poderíamos dar certo. Normalmente eu não permitiria isso, mas o cara era sobrinho do meu chefe, ficava numa situação bastante comprometedora, por isso me arrependo até hoje de ter aceitado sair com ele.

─ Richard! O que faz aqui?

─ Oi, Lo. ─ Ele não esperou convite e já foi entrando. ─ Não vai acreditar no que eu consegui pra gente!

─ Ah, Richard essa não é uma boa hora...

─ Lois, eu sei que você já cansou de dizer que nós não íamos dar certo, mas você nem sequer tentou. ─ Ele insistiu. ─ Consegui ingressos na primeira fileira pro jogo de Metropolis.

─ Sinto muito, mas eu tenho um compromisso...

─ Quando vai deixar de ser tão teimosa? ─ Ele não ligou para minha rejeição.

Richard chegou bem perto de mim e me pegou pela cintura. Tentei me afastar, mas ele me segurou com força.

─ Acho melhor ir embora!

─ Vamos, Lois. Vai dizer que todas as vezes que nós ficamos foi tão ruim assim pra você.

─ Nós só saímos três vezes. E não é por isso, eu...

Fui interrompida pela porta do meu quarto se abrindo. Clark saiu de lá somente com sua cueca box branca. Richard Ficou olhando para ele por alguns segundos e depois olhou pra mim. Finalmente ele me largou e eu fui para perto do Clark.

─ Quem é esse? ─ Perguntou ainda surpreso.

─ Meu namorado.

─ Tá de brincadeira, Lois? Dois dias atrás ainda estava solteira!

─ Bem, de qual outro jeito você explicaria um homem seminu saindo do meu quarto?

Richard ficou sem graça e parecia confuso também. Olhei para o Clark e ele estava com uma cara fechada, sua mão estava na minha cintura.

─ Eu...melhor eu ir. Te vejo no trabalho...

Ele saiu bem rápido do meu apartamento e nem fechou a porta. Tranquei a porta e olhei para o Clark, a carranca dele já havia sumido um pouco.

─ Quem era?

─ Richard. Ele é sobrinho do Perry, nós saímos algumas vezes, mas ele não aceitou que não ia rolar nada.

─ Mas ele sabe onde você mora...

─ Sim, ele me trouxe em casa depois que nós saímos para jantar. ─ Me aproximei dele e segurei sua mão. ─ Nada aconteceu...

─ Ok. ─ Ele colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. ─ Mas não o culpo de ter se apaixonado por você tão rápido.

Sorri pra ele.

─ Por sorte me apaixonei por um cara que gosta de mim igualmente.

* * *

No domingo, Clark sugeriu que nós fossemos à fazenda. Tinha que confessar que estava um pouco apreensiva ao reencontrar a senhora Kent, na época do colegial ela tinha sido como uma mãe pra mim, me acolheu em sua casa e me tratou com muito carinho. Ao longo desses anos eu nunca parei de pensar nos pais do Clark, ainda estava um pouco triste ao saber que seu pai havia falecido, ele deve ter sofrido tanto...Não me surpreenderia se o motivo da sua viagem à África fosse devido a perda do Sr. Kent.

Espantei esses pensamentos e voltei a olhá-lo, estava descontraído, um sorriso nos lábios e prestando atenção na estrada, estava magnifico. Um dos motivos de ter deixado ele dirigir até lá, adorava observá-lo, sua aparência tinha mudado um pouco, agora era um homem maduro. Ainda não conseguia acreditar que estávamos juntos novamente, quando nos separamos anos atrás, sofri bastante, achei que nunca ia conseguir namorar de novo, meia que estava certa, meus relacionamentos a partir daí foram desastrosos. Clark Kent era realmente o homem da minha vida e eu nunca pensei que poderia ser tão feliz assim.

Chegamos à fazenda, continuava do mesmo jeito que eu lembrava. Saí do carro e inspirei aquele ar puro, me trazia tantas lembranças que não pude evitar de sorrir.

─ Senti falta desse lugar.

─ Tantas lembranças...  ─ Ele segurou minha mão e fomos para dentro da casa.

A porta estava destrancada, então entramos pela frente, caminhamos até a cozinha onde Martha estava cozinhando.

─ Mãe, cheguei!

Ela se virou para receber o filho. Martha havia mudado também, seus cabelos ruivos tinham dado lugar a umas mechas brancas, seu rosto transparecia mais experiência, mas seu sorriso continuava o mesmo, acolhedor e carinhoso.

─ Clark, querido. Fico feliz que tenha vindo.

Ela o acolheu num abraço carinhoso.

─ Viemos passar o dia com a senhora.

─ Não vai me apresentar a sua amiga?

Olhei pra ele, ela não havia me reconhecido. Estranhei.

─ Mãe, você já conhece ela. É a Lois.

O jeito com que Martha me olhou mudou completamente, a simpatia foi substituída por ternura.

─ Lois! Meus Deus, como está mudada.

Ela me abraçou forte e eu retribuí. Tinha sentido falta dela também, aquele carinho de mãe e aquele cuidado.

─ Não a reconheci sem meus óculos.

─ É bom rever a senhora e é bom estar de volta a essa casa.

Olhei em volta, nada havia mudado, aquilo me trazia tantas lembranças boas e a sensação de estar em casa me atingiu.

─ Vamos sentar enquanto a almoço não sai.

Nós voltamos à sala e nos sentamos no sofá. Clark ainda segurava minha mão forte.

─ Olha só pra você, ─ Sra. Kent falou para mim. ─ está uma mulher agora.

─ Obrigada. ─ Sorri para ela.

Clark e eu fomos contando tudo sobre como nos reencontramos. Martha ficou muito feliz por estarmos juntos novamente, fiquei feliz ao saber que ela ainda gostava de mim que o jeito com que me tratou não mudou em nada.

Quando a noiteceu, nós fomos pegamos a estrada de volta à Metropolis. Eu estava feliz por ter reencontrado a Sra. Kent. Clark também estava feliz e um sentimento de que minha vida tinha acabado de começar invadiu meu corpo.

* * *

O dia amanheceu e eu acordei nos braços dele. Fomos para a casa dele ontem à noite, tinha o pressentimento que não íamos mais nos desgrudar.

Clark ainda estava dormindo, olhei para o relógio e ainda era cedo. Levantei com cuidado para não acordá-lo, vesti uma de suas camisas e fui ao banheiro. Sem me intimidar peguei sua escova de dente e fui escovar meus dentes, resolvi abrir o armário para ver o que tinha dentro: uma loção pós barba, pasta de dente, fio dental e um vidrinho de perfume. Curiosa, peguei o frasco e abri, o cheiro dele era inebriante, aquilo me fez sorrir. Coloquei o perfume no armário de novo e olhei em volta do banheiro, uma roupa pendurada chamou minha atenção, me aproximei e peguei a peça.

Era uma espécie de uniforme, todo azul com uma capa vermelha e um grande “S” estampado no peito. Reconheci aquele símbolo. Li algumas reportagens sobre um herói misterioso e esse S aparecia. Clark estava usando suas habilidades para ajudar as pessoas. Meu sorriso se alargou. Coloquei a roupa no lugar e não pude deixar de imaginar ele vestindo aquilo.

Fui à cozinha e comecei a preparar o café, daqui a pouco teria que ir pra casa me arrumar para o trabalho. O fim de semana passou voando, não me divertia assim faz tempo, a volta de Clark com certeza ascendeu algo em mim novamente. O café estava pronto e ele ainda não havia levantado, resolvi acordá-lo.

Ele não mudou de posição, uma sombra de sorriso estava estampada no seu rosto.  Devagar subi na cama e me posicionei em cima dele, comecei a beijar seu pescoço e fui subindo até chegar aos seus lábios. Clark correspondeu ao meu beijo mostrando que havia acordado, depois de alguns minutos nós nos separamos.

─ Bom dia, dorminhoco.

─ Bom dia.

─ Eu fiz café, está na cozinha. ─ Dei um selinho nele e saí da cama. ─ Mas não vou poder ficar, tenho que me arrumar para o trabalho.

─ Posso ir com você.

─ Não precisa. ─ Peguei minhas roupas e comecei a me vestir. ─ Te encontro no jornal mais tarde.

Me aproximei  dele e o dei um beijo de despedida.

Cheguei no meu apartamento vinte minutos depois. Fui direto pro chuveiro e tomei um banho rápido, vesti uma saia lápis e uma blusa social, prendi meu cabelo num rabo de cavalo e peguei minha bolsa para ir ao Planeta Diário.

Cheguei em cima da hora, Clark já estava lá e parecia concentrado no trabalho.

─ Ei, no que está trabalhando?

─ Perry me pediu para terminar uma matéria simples, acho que consigo terminar agora pela manhã mesmo.

─ Ótimo, tenho que falar uma coisa com o Jimmy e já volto.

* * *

A manhã passou voando, Clark e eu fomos almoçar na casa dele já que era bem perto do jornal. Ele me surpreendeu quando disse que tinha feito o almoço, que por sinal estava uma delícia. Nós comemos e depois fomos para o sofá descansar um pouco.

─ Eu vi o seu uniforme no banheiro.

─ Então você reconheceu? Eu ia te contar tudo, mas ficamos tão ocupados esse fim de semana...

─ Uhum, fico orgulhosa por estar usando os seus poderes para ajudar as pessoas.

─ Não teria conseguido sem você. ─ Ele se aproximou. ─ Nunca esqueci o que me disse quando foi embora.

Sorri para ele, Clark era um fofo, me aproximei dele e o beijei.

* * *

Quase um ano se passou, Clark e eu estávamos morando juntos agora. Ele estava trabalhando no jornal e exercendo seu dever como super-herói, ou melhor dizendo como Superman, dei esse nome a ele quando o entrevistei para o Planeta Diário.

Nossa vida não podia estar melhor, nos mudamos para um apartamento novo graças ao nosso novo salário no jornal. Era sexta-feira, ele me levou para jantar, mas o que me surpreendeu foi o lugar. Clark tinha arrumado o celeiro da fazenda, o transformou num ambiente romântico e agradável, flores no centro da mesa e um prato delicioso.

─ Smallville, você é mesmo um romântico a moda antiga.

─ Só com você.

O assistir colocar mais vinho na minha taça, segurou minha mão na sua e começou a acariciá-la.

─ Lo, nem consigo descrever a felicidade que senti quando te vi quase um ano atrás no jornal. Sempre soube que nosso destino era para nós ficarmos juntos, você é uma mulher incrível e tenho muita sorte de estar ao seu lado.

Ele se levantou e ajoelhou ao meu lado. Meus olhos se arregalaram de surpresa, ele estava mesmo fazendo aquilo.

─ Eu quero passar o resto da minha vida ao seu lado, ─ Ele tirou uma caixinha de veludo do bolso. ─ Lois Lane, quer se casar comigo?

─ Sim!

Não pensei duas vezes antes de responder e ele colocou o lindo anel no meu dedo. Nos levantamos e eu me apressei para beijá-lo.  Não tinha dúvidas que iriamos ser felizes juntos, Clark era o homem da minha vida e o que estava faltando para eu ser completamente feliz, juntos traçaríamos nossa jornada e enfrentaríamos qualquer coisa contanto que estivéssemos juntos.

 

FIM