* * *
Lois ficou até tarde no jornal para ver se achava mais algum movimento suspeito que levaria aos bandidos, supostos contratados por Lex Luthor. Ouviu o rádio da policia o dia todo, mas nenhum sinal deles. Olhou pro relógio, onze horas. Estava muito tarde, talvez devesse ir pra casa e continuar investigando amanhã.
Desligou o computador com um grande suspiro, o dia tinha sido péssimo, ela terminou com seus dois ‘namorados’, descobriu que alguém pode estar tentando trazer Lex de volta usando umas pedras mágicas...Pegou sua bolsa e foi para a sala de cópias pegar sua chave. Ouviu o barulho do elevador, achou estranho ter alguém ali aquela hora. Olhou através da persiana e viu Clark se aproximar da sua mesa, falava no telefone e parecia bem agitado, o viu mexer em alguma coisa no computador...o que será que ele estava aprontando?
– Ok, Oliver. Eu já estou descendo pra te encontrar. – Clark falou e desligou o telefone.
Lois ouviu aquela frase e ficou com uma pulga atrás da orelha. O que ele e o Oliver estavam aprontando? Ela estava prestes a descobrir. Lois sorriu, pegou sua chave e foi atrás dele.
No andar de baixo, Lois viu Clark entrar no carro de Oliver, entrou rápido no seu carro e tratou de seguir aqueles dois.
Depois de meia hora seguindo o rastro daqueles dois, Lois os viu parar em um grande depósito. O lugar era pouco iluminado, não parecia ser vigiado, seria fácil de entrar ali. Saiu do carro e se escondeu atrás de um muro, viu Clark e Oliver entrando por uma porta lateral, pareciam se esconder também. Ela não parava de se perguntar o que eles tinham ido fazer ali. O seu sangue de repórter falou mais alto, ela foi devagar para a entrada, estava escuro demais, ela mal podia ver, a essa hora já não sabia mais pra onde aqueles dois tinham ido.
* * *
Clark e Oliver andaram por cinco minutos, estavam seguindo o mapa que Oliver trouxe, procuravam a sala principal.
– Oliver, esse lugar parece abandonado. Tem certeza de que é aqui? – Clark perguntou.
– Tenho certeza, a Chloe me deu certeza de que os ladrões tinham trazido os geradores pra cá. – Ele andou mais um pouco e virou a esquerda. – Acho que é aqui.
Clark o acompanhou. Levou a mão a maçaneta para abrir a porta, mas não seguiu em frente. Sentiu algo apontado para suas costas.
– O que fazem aqui?
Os dois se viraram e deram de cara com dois homens armados. Clark e Oliver se olharam sabendo que estavam em apuros.
* * *
Lois estava andando por dez minutos, não sabia se estava andando em círculos ou se estava progredindo no lugar. Ouviu um barulho estranho vindo a frente, ela foi na espreita ver o que era. Se escondeu atrás de uma caixa grande de madeira e se inclinou para ver o que estava acontecendo. Seus olhos se arregalaram ao ver Oliver e Clark ajoelhados e algemados, quatro guardas armados os mantinham sobre a sua mira.
– O que eu faço agora? – Falou apavorada.
* * *
Clark e Oliver ainda estavam sobre a mira dos atiradores.
– Agora seria uma boa hora para usar um desses seus poderes, grandão. – Oliver cochichou pra ele.
– Não consigo. Me sinto fraco, acho que tem kryptonita por perto. – Respondeu um pouco ofegante.
– Merda! Se eu tivesse trazido meus equipamentos...
Um dos homens estava conversando no celular enquanto os outros dois mantinham a atenção em Oliver e Clark.
– O chefe mandou atirar! – O terceiro homem falou.
Os dois outros sorriram e prepararam as armas, apontaram cada um para Oliver e Clark.
– Ok, rapazes...acho que estão pegando pesado demais com esses pobres coitados. – Lois surgiu na frente deles.
– Lois! – Clark e Oliver gritaram surpresos.
– Quem é você?! – Um dos bandidos perguntou apontando a arma pra ela.
Lois levantou os braços e deu um passo pra trás.
– Calma, esquentadinho. Eu só acho que atirar nesses dois não vai ser uma boa ideia.
– Parece que a mocinha aqui veio resgatar os amiguinhos. – O cara que parecia o líder entre os três falou. – Pena que vamos ter que matar vocês todos.
Na mesma hora o telefone dele toca, mandou os outros dois ficarem de olhos nos prisioneiros e foi atender longe de lá. Depois de cinco minutos ele voltou com a cara nada satisfeita.
– Surgiu um imprevisto na sala 2. Coloquem esses três na cela e fiquem de vigia. Depois eu volto pra acabar com isso.
Os três foram escoltados pelos dois bandidos armados até uma pequena cela no fim do corredor. Eles os trancaram e saíram.
– Lois, o que está fazendo aqui? – Clark perguntou não zangado.
– Eu acabei de salvar a vida de vocês dois, um obrigado já bastava.
– Ele está certo, Lois. – Oliver apoiou Clark. – Agora você vai morrer com a gente.
Ela bufou e se afastou dele. Precisava de distância para pensar. Oliver e Clark se encostaram na parede.
– Você tá legal? – Oliver perguntou.
– Não muito, tem alguma kryptonita por perto.
– Então só resta apelar pro plano B. – Falou apreensivo. – Presta atenção...
Oliver começou a explicar o plano para Clark.
Lois andava de um lado pro outro na pequena cela, estava ficando sem ideias pra tirá-los dali. De repente, ela ouviu Oliver gritando.
– Agora ela está aqui e nós todos vamos morrer! – Gritou para Clark.
– Isso não teria acontecido se você tivesse prestado atenção pra ver se alguém estava nos seguindo.
– Como eu ia adivinhar?!
– Ei, ei!! Vocês dois querem parar! – Lois interviu.
– Isso é tudo culpa sua! – Oliver continuou chegando mais perto dele.
– Não tenho culpa nenhuma nisso! – Clark também se aproximou alterado.
Na mesma hora, um guarda abre a cela para ver qual o motivo da gritaria. Separou os dois e apontou uma arma, oscilando em direção deles. Logo o outro homem entrou e apontou a arma para Lois.
Clark e Oliver não se intimidaram, continuaram os insultos e logo estavam sobre a mira dos dois atiradores. Lois estava morrendo de medo de um deles atirar, se aproximou da briga, mas um dos homens a fez recuar apontando a arma para ela.
– Mais um passo e eu atiro! – Ele avisou.
– Eles vão se matar! – Ela gritou impaciente.
Num impulso ela voltou a andar em direção a eles, o bandido não se conteve e atirou.
Clark ouviu o barulho do tiro ecoar nas suas orelhas, seus olhos se arregalaram quando viu aonde aquele bala iria parar. Ele superacelerou e ficou a frente de Lois para parar a bala. A próxima coisa que sentiu foi uma grande dor vindo do seu abdômen, não entendeu por quê a bala tinha atravessado o seu corpo. Caiu nos braços de Lois, estava tonto e seu corpo todo doía, olhou para baixo e viu que ele tinha sido atingido por uma bala de kryptonita.
Oliver voltou a si e rapidamente rendeu um dos caras, pegou sua arma e apontou para o segundo.
– Lois, tire-o daqui! – Ele disse.
Desarmou os dois e os trancou na cela. No corredor, Lois tinha Clark nos seus braços, estava sangrando muito e estava bastante pálido.
– Seu estupido! Por que fez isso? – Perguntou desesperada.
Oliver alcançou os dois em seguida.
– Me tira daqui. – Clark conseguiu sussurrar.
– Temos que levá-lo para o hospital. Ele está quase desmaiando.
Oliver ajudou Lois a levantar Clark, juntos os dois o levaram para fora dali. Entraram no carro de Oliver, Lois acomodou Clark no banco de trás.
– Você vai ficar bem, Smallville. – Ela falou.
Estava nervosa demais com aquela situação, Clark estava seriamente ferido, todo aquele sangue nas suas mãos, na sua roupa. Mas ela tinha que manter a calma, ele não estava nada bem e ela tinha que dar suporte pra ele. A única coisa que estava pedindo era pra não perder ele.
– Tem um hospital há dez minutos daqui. – Lois informou Oliver.
– Não... – Clark protestou com a voz falha. – Hospital não.
– Fica tranquilo, grandão. Vamos pro meu apartamento.
– Está maluco?! – Lois gritou. – Oliver, vamos pro hospital, agora!
– Lois, se acalma! Clark sabe o que fazer. – Ele ligou o carro e saiu de lá.
– Ele levou um tiro! Está delirando!
– Lois... – Clark tentou falar, mas estava tonto demais para formular uma frase.
– Ei, eu estou aqui. Nada vai acontecer a você. – Ela se virou para Oliver. – É melhor saber o que esteja fazendo, Oliver, porque se alguma coisa acontecer a ele eu juro que te mato.
Oliver acelerou e foi com velocidade máxima para o seu apartamento. Depois de dez minutos eles chegaram. Os dois carregaram Clark até o quarto de Oliver e o deitaram na cama.
– Tira a camisa dele. – Oliver pediu a Lois e ela o fez com cuidado para não machucá-lo mais.
Ela viu o lugar onde a bala tinha penetrado, sua pele estava estranha, suas veias estavam claramente a mostra e pulsavam forte. Oliver voltou ao quarto com uma vasilha com água e alguns panos.
– Isso vai doer, morde isso. – Oliver colocou uma das toalhas na boca dele.
O loiro limpou o sangue ao redor da ferida, examinou o lugar aonde a bala tinha entrado, não tinha ido muito fundo, dava pra tirá-la com uma pinça. Oliver respirou fundo e pegou a pinça. Lois ainda não podia acreditar que eles estavam fazendo isso, era loucura, Clark precisava ver um médico. Agora não tinha mais jeito. Oliver já estava colocando a pinça na barriga dele para tirar a bala. Lois rapidamente segurou a sua mão.
– AAAAAAAAAAAHHH!!! – Clark gritou de tanta dor e apertou forte na mão de Lois.
– Quase lá. – Oliver disse e no segundo seguinte retirou a bala.
A bala estava coberta de sangue, mas ainda se podia ver o material de que era feita. Kryptonita, o brilho verde era evidente. Clark não aguentou mais e desmaiou.
– Ele vai ficar bem. – Oliver falou. – Faz um curativo enquanto eu tiro isso de perto dele.
Lois ficou preocupada com o estado de Clark. Ele estava desacordado e ainda sangrava, ela não hesitou a fazer seu curativo, fez tudo com muito cuidado.
– Não ouse morrer, seu caipira! – Falou enquanto ajeitava o travesseiro dele. – Vou cuidar de você.
Ela acariciou seu rosto, estava com expressão de dor, naquele instante ela soube que jamais suportaria se perdesse ele.